Armazenagem, Dicas, Logística Interna, Projeto Logístico, Transportes,

Como antecipar soluções, prever demandas e como driblar o efeito chicote?

 

Veja o que dizem os teóricos e especialistas da Logística moderna sobre antecipar-se,  manter a competitividade e evitar o efeito chicote:

Os fluxos de informações em cadeias de suprimentos têm sido amplamente estudados nos últimos anos. Para o gerenciamento da cadeia de suprimentos é fundamental que os fluxos de informações forneçam a visibilidade necessária das informações da cadeia, com qualidade e confiabilidade. Chen e Wolfe (2011) apresentam definições para qualidade de dados e confiabilidade de dados.

Já Bowersox e Closs (2001) afirmam que informações precisas e em tempo hábil são, atualmente, cruciais para a eficácia do projeto de sistemas logísticos por três razões básicas. (1) os clientes consideram que informações sobre status do pedido, disponibilidade de produto, programação de entrega e faturamento são fatores essenciais do serviço ao cliente, (2) o objetivo central de redução de estoque em toda a cadeia de suprimentos tem levado os executivos a considerar que a informação pode ser um instrumento eficaz na redução de estoque e da necessidade de recursos humanos, (3) a informação aumenta a flexibilidade para decidir como e onde os recursos podem ser utilizados para que se obtenha vantagem estratégica.

De acordo com Guangliang (2011), o fluxo de informações tem um papel muito importante no gerenciamento da cadeia de suprimentos como forma de reduzir as ilhas de informação entre os diferentes nós da cadeia. Isto afeta a comunicação e a coordenação, aumenta o custo operacional e reduz a competitividade da cadeia.

“No efeito chicote uma pequena alteração na demanda do cliente final é amplificada de membro a membro até chegar ao fornecedor de segunda camada”.

Segundo Du, Wong e Lee (2004), em uma cadeia de suprimentos a comunicação entre os elos passa por um grande número de níveis e é bastante comum a distorção da informação durante o processo de comunicação. Essa distorção pode ter os seguintes efeitos: (1) previsões incorretas de demanda, (2) falta de produtos, (3) ordens reversas, (4) flutuação de preços. Por sua vez, esses efeitos podem causar os seguintes problemas: (1) investimento excessivo em estoque, (2) baixo nível de serviço ao cliente, (3) redução de receitas, (4) capacidade mal planejada, (5) transporte ineficaz, (6) perda de cronogramas de produção.

De acordo com Shuwei e Huiyan (2008), o sistema integrado para o gerenciamento da cadeia de suprimentos envolve a conexão com fornecedores, clientes e processos internos da organização e representa o próximo nível de evolução em cadeias de suprimento.
A disponibilidade de informação de boa qualidade, em tempo hábil, é fator chave para as operações logísticas. Cada erro na composição das necessidades de informação cria uma provável ruptura na cadeia de suprimentos.

As deficiências mais comuns em qualidade de informações enquadram-se em duas amplas categorias: (1) as informações recebidas podem estar incorretas quanto aos acontecimentos e tendências, gerando avaliações e projeções imprecisas, (2) as informações podem estar imprecisas em relação às exigências de um cliente específico, gerando aumento de custos (exemplo: devolução, reposição) e eventualmente perda de vendas (Bowersox e Closs, 2001).

Dinter e Winter (2009) apresentam o conceito de Informação Logística (“Information Logistics” – IL) como sendo o planejamento, controle e implementação de todo o fluxo de dados entre unidades, bem como o armazenamento e provisionamento destes dados. Segundo os autores, a definição de uma estratégia de IL é desafiadora porque precisa coordenar um grande número de objetivos locais, harmonizar soluções não homogêneas, gerenciar redundâncias e alinhar os objetivos de curto prazo com os objetivos de longo prazo.

A possibilidade de as empresas trocarem informações tem contribuído para a redução da falta de visibilidade na cadeia de suprimentos sobre a real demanda dos consumidores finais, fator que influencia diretamente a formação de estoques de segurança (Fleury et al., 2007).

Segundo Lustosa et al. (2008), a gestão de estoques requer constante disponibilidade sobre o andamento das decisões e dos níveis de estoque. A obtenção e atualização dos dados necessários, além da transformação destes em informação útil, são os objetivos dos sistemas de controle de estoques. Assim, quando a informação não está disponível, a gestão de estoques não pode ser realizada de forma eficaz, o que pode causar dois tipos de problemas: (1) excesso de estoques com aumento de custos, (2) falta de estoques com perda de vendas.

Ballou (2001) considera que os custos de manutenção de estoques são:
Espaço, capital, serviços de estoque (seguro / impostos), riscos (deterioração, danos, roubo, obsolescência). Por outro lado, os custos da falta estão associados com vendas postergadas e vendas perdidas.

Para Figueiredo et al. (2006), em uma empresa que comercializa produtos acabados, o custo financeiro de estoque pode ser calculado multiplicando-se o valor dos produtos em estoque pela taxa de oportunidade da empresa.

No caso de empresas industriais, os produtos acabados são valorados com base no custo do produto vendido (CPV), que considera todos os custos industriais fixos e variáveis. Em contrapartida, a perda de venda devido à falta de produto para atender a demanda prejudica uma das principais dimensões do nível de serviço logístico, a disponibilidade. Entre a série de complicações decorrentes da falta de produto podem-se destacar o resultado negativo para a marca e a perda de fidelidade dos clientes.

O custo da venda perdida pode ser calculado pela margem de contribuição unitária do produto multiplicada pelo volume que deixou de ser vendido Lustosa et al. (2008) ressaltam que as práticas de compartilhamento de informações e planejamento colaborativo entre clientes e fornecedores visam atenuar o chamado efeito chicote, isto é, o acúmulo de estoques e atrasos ao longo das cadeias de suprimento.

Ainda segundo o autor, o grande problema de uma gestão integrada da cadeia é a limitada visibilidade da demanda real, amplificada por fenômenos como o efeito chicote, que amplifica e distorce a demanda no sentido montante (sentido dos fornecedores, sentido “upstream”) da cadeia.

O atual estágio da tecnologia da informação e comunicação tem permitido o compartilhamento de informações entre fornecedores e clientes, criando cadeias formadas por unidades de negócios independentes e virtualmente integradas. Na prática, essa inexistência de amplificação / distorção da demanda é algo muito difícil de ser alcançado. Vários fatores, como lotes econômicos de produção e transporte, descontos em função da quantidade de compras e falta de previsões de demanda colaborativas fazem com que a distorção da informação real de demanda seja constante na prática.

Pattnaik et al. (2009) consideram que a distorção da informação é comum nas cadeias de suprimentos. Uma das consequências da distorção de informação é o efeito chicote. As estratégias para combater o efeito chicote incluem compartilhamento de informações, alinhamento de canais e eficiência operacional.

Fonte: Lustosa L. J. et al., Planejamento e Controle da Produção, 2008

Ficou interessado e gostaria de saber mais sobre esse assunto? Envie suas sugestões de tópicos a serem tratados nos comentários e continue acompanhando o nosso blog! Podemos lhe ajudar? Entre em contato comigo agora 11 95475-6564 ou osmar.vinci@grupoenar.com.br

0

Deixe uma resposta